22 01 2010

Plástica de Mama – Dr. Sérgio Augusto da Conceição

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1- Quais as razões que levam uma mulher a reduzir o tamanho das mamas?

Esse é um tipo de cirurgia plástica muito procurado, pois causa, além de grande constrangimento pelo tamanho excessivo das mamas, dores na coluna, peso nos ombros, dificuldades em realizar algumas atividades físicas, no uso de vestuário, implicando em vícios posturais, sensação de inferioridade e problemas de adaptação social. O cirurgião plástico deve ter em mente que a mama confere beleza, harmonia e sensualidade à mulher e, sobretudo, tem a função de amamentação. Dessa forma, as técnicas redutoras devem, além de causar alívio dos sintomas de peso, tentar oferecer boa forma em longo prazo, cicatrizes reduzidas, tamanho compatível com o corpo, sensibilidade e manter função de lactação.


2 -  Uma das grandes preocupações da paciente são as cicatrizes dessa cirurgia. Onde ficam as cicatrizes na redução das mamas?

A extensão das cicatrizes depende do tamanho e do grau de flacidez das mamas. A paciente deve ser bem preparada para saber como cuidar das cicatrizes e conviver com elas. Sempre preparamos as pacientes, no sentido de conscientizá-las de que elas irão trocar uma mama com tamanho e formato de que não gostam, por outra com uma presença de cicatriz que será eterna. Geralmente, os cortes ficam ao redor das aréolas, descendo na vertical até a base da mama, em um formato que lembra um T de cabeça para baixo (mas podem também ser em forma de L ou I). O cirurgião deve ter muita cautela para, no afã de tentar deixar uma cicatriz menor, não prejudicar a forma da mama. As cicatrizes evoluem em fases: no início são avermelhadas e vão se tornando mais claras e estreitas, mas não desaparecem. Elas podem ser tratadas com pomadas e cremes específicos, com fitas de silicone e de corticóides, com massagens compressivas e com a beta-terapia (radioterapia), que trata cicatrizes largas, endurecidas e avermelhadas, conhecidas como cicatrizes hipertróficas ou queloideanas. O resultado definitivo de uma cicatriz deve obedecer a um tempo de cerca de um ano e meio depois da cirurgia.

3 -  Qual é o resultado da cirurgia, com relação ao tamanho, a consistência e a sensibilidade?

O tamanho deve ser sempre proporcional ao biotipo da paciente. Algumas mulheres são tão traumatizadas com o volume grande das mamas que insistem em reduzi-las demais. O resultado pode não ficar muito bom. Como já foi mencionado, o ideal é reduzi-las de acordo com a necessidade e a anatomia da paciente. Quanto à consistência, vai depender do conteúdo da mama, se é mais tecido glandular ou tecido adiposo (gordura). Fatores como gravidez, idade, obesidade e genética determinam a quantidade de gordura na mama e suas conseqüências, como flacidez, perda da elasticidade e da consistência. Se é uma mama que tem mais tecido glandular e com uma boa qualidade de pele, ela pode ser mais firme no pós-operatório. Não é comum que ocorra alteração da sensibilidade da mama quando se realiza a mamoplastia redutora com as técnicas atuais, mas é uma possibilidade e a paciente deve ser avisada. Principalmente nas mamas com maior volume e com grande ptose (queda) das aréolas.

É uma cirurgia segura, quando a paciente tem um bom estado de saúde. Os riscos são proporcionais às alterações clínicas que ela possui. A anestesia pode ser peridural ou geral e o tempo de internação é de 24 horas. O uso de dreno pode ser necessário em alguns casos e é uma cirurgia que normalmente não causa muita dor. O pós-operatório deve obedecer a um certo repouso, por 30 dias e, progressivamente, a paciente vai sendo liberada para suas atividades cotidianas.

4- Uma possível gravidez, depois de uma cirurgia de mamoplastia redutora, prejudica o resultado da plástica?

Sim. O ideal é que a paciente, ao reduzir o tamanho da mama, já tenha todos os seus filhos para que o resultado final da cirurgia estética não seja prejudicado. A alteração hormonal, que acontece com a produção do leite, pode aumentar novamente o volume da mama. E esse estiramento pode por tudo a perder.


5- É possível diminuir o diâmetro das aréolas?

Sim, através das varias técnicas para redução ou ascensão das mamas (mastopexia). A maioria das pacientes que reduz as mamas nos pedem para que as incisões nas aréolas sejam menores e mais arredondadas. Existem aparelhos que marcam as aréolas (cortes) nos locais certos e com diâmetro compatível com o tamanho das mamas. Praticamente toda vez que se reduz o tamanho das mamas há diminuição do diâmetro das aréolas e ascensão das mesmas. A mastopexia (ascensão das mamas e aréolas, sem redução de volume) é indicada para aquele tipo de mama que não é muito grande e que já sofreu um processo de queda e atrofia tecidual. Além de retirar as sobras de pele, é possível reposicioná-la e projetá-la, preenchendo os espaços de atrofia com o próprio tecido retirado.


6- Como é a cirurgia de aumento das mamas?

Pacientes com mamas pequenas e/ou com flacidez leve ou moderada são as melhores candidatas à cirurgia para colocação de prótese de silicone. A incisão é feita ao redor da aréola, na base da mama (sulco) ou na região axilar. O pós-operatório costuma ser mais tranqüilo do que na mamoplastia redutora: repouso, nos primeiros 15 dias, com retorno lento para as atividades diárias. Não é um pós-operatório muito dolorido e, por isso, a paciente deve ter muita cautela para não abusar. Qualquer complicação, mesmo que seja pequena, pode resultar na perda da prótese e, conseqüentemente, na perda total da cirurgia. As próteses têm vários formatos (anatômico, redondo, perfil alto, baixo, etc), e a escolha deve ser feita de acordo com biotipo da paciente e a solicitação da mesma. Pode haver “rejeição” do organismo ao corpo estranho (prótese), que chamamos de contratura, que nada mais é do que um endurecimento no local das mamas. Quando a contratura é leve, pode ser tratada com massagens e medicamentos e, quando é intensa, deve ser tratada cirurgicamente, através da troca do implante ou remoção do mesmo.


7 – Mesmo sem a complicação da contratura da prótese, o resultado de algumas plásticas de aumento é um pouco artificial. Como se coloca a prótese para que a consistência e aparência da mama sejam o mais natural possível?

Quando se analisa uma mama, deve-se levar em conta vários aspectos para a escolha da melhor técnica a ser utilizada. Se a mulher tem o tórax menor e pouca quantidade de tecido glandular, a prótese deve ser menor, devendo ser colocada logo abaixo da glândula (subglandular ou subfascial) ou abaixo músculo (submuscular). Uma prótese maior, nesses casos, deixa a mama com o aspecto mais artificial.

Se a mulher possui maior estrutura física, pode-se optar por próteses maiores, de formato anatômico ou mais arrendondado, que conferem um resultado mais natural, principalmente quando a prótese é colocada debaixo do músculo.

A mulher não deve seguir modismos e sempre optar por tamanhos de prótese compatíveis com o seu biotipo. Naquelas com mamas pequenas e de tecido mais fino há possibilidades de a pele adquirir estrias, especialmente em quem tem tendência ao problema.


8 – Quando o resultado será definitivo?

Logo após a cirurgia, a paciente já tem uma idéia inicial do resultado da cirurgia. Mas é em torno de 2 a 4 meses que a mama estará menos inchada e talvez um pouco menor que no início. Com 6 meses, o resultado está perto do definitivo. A evolução é semelhante a de outras cirurgias plásticas. Poderá levar meses ou até mais de 1 ano para que o resultado seja definitivo.

9 – A reconstrução da mama para mulheres que passaram por uma mastectomia ou quadrantectomia é uma medida de reintegração emocional dessa paciente no seu cotidiano. O que se pode esperar da cirurgia reconstrutora da mama?

O sonho de todo o cirurgião plástico reconstrutor é poder chegar à perfeição ou pelo menos perto dela. As técnicas reconstrutivas evoluíram muito, mas embora o resultado de uma mama reconstruída não seja perfeito, a grande maioria das pacientes sente alívio e tem o sofrimento da mutilação amenizado com a nova mama. Alguns anos atrás, muitos cirurgiões achavam que as pacientes deveriam ser reconstruídas tardiamente, cerca de 1 a 2 anos após a mastectomia, para que pudessem, de certa forma, valorizar o resultado da nova mama, que jamais será igual à que ela possuía antes da retirada do tumor. Perder a mama, porém, pode ser devastador na vida da mulher, gerando um sofrimento muito maior. Por isso, a tendência atual é reconstruir imediatamente a mama que foi parcialmente ou totalmente ressecada. Um procedimento seguido do outro. O tempo cirúrgico e anestésico tem o dobro de duração, mas as pacientes preferem assim a ter que passar um certo tempo mutiladas e com vergonha do cônjuge e de terceiros, constrangidas consigo mesmas, ao tirar a blusa ou usar algum enchimento sob o sutiã.

A reconstrução pode ser realizada utilizando-se de tecidos do corpo da própria paciente, implantes mamários e/ou uma combinação dos dois métodos. Quando a preferência recai sobre a utilização do próprio tecido, pode-se optar pela região do abdome ou do grande dorsal (costas), onde é realizada a incisão e a confecção de um retalho, que é o tecido que é retirado de uma região do corpo e levado a outra próxima, permanecendo parcialmente preso ao seu lugar original, para manter a circulação sangüínea no material que será transferido gordura, músculos e pele. Com um movimento de rotação, gira-se o retalho abrindo caminho por dentro do corpo, como em um túnel interno, por onde se faz a transferência dos músculos, da gordura e da pele para o local da mama mastectomizada.

A região do grande dorsal oferece um retalho menor e mais fino, a cicatriz se localiza estrategicamente onde passa a alça do sutiã e se utiliza um implante associado.

Quando o retalho é feito na região abdominal, o cirurgião remove os tecidos da parte inferior do abdome (pele, tecido subcutâneo e músculo reto-abdominal), situada entre o umbigo e a parte superior do púbis e os leva por um túnel até a região da mama a ser reconstruída. A paciente precisa ter algum tipo de sobra de pele. É uma cirurgia que, além de reconstruir a mama, melhora a aparência do abdome. No entanto, pode haver fraqueza muscular abdominal devido à retirada do músculo. As cicatrizes resultantes serão na mama reconstruída e no abdome inferior (cicatriz horizontal e ao redor da cicatriz umbilical). Quando a mama é parcialmente ressecada (quadrantectomia), a reconstrução mamária pode utilizar o expansor de tecidos associado ao implante mamário. Essa opção é feita quando na ressecção não há pele suficiente para se colocar um implante abaixo e obter um formato adequado da mama (falta de pele). O expansor de tecidos é um tipo de implante temporário, semelhante a um balão com um tipo especial de válvula, que é colocada vazia, geralmente abaixo da pele e do músculo da parede torácica e gradualmente inflada pela paciente, através da válvula com soro fisiológico. Com isso, a pele vai expandindo (como a pele do abdome durante a gravidez) até alcançar um tamanho semelhante ao da mama que se deseja reproduzir. Com algumas semanas, a distensão alcançada servirá para a colocação do implante de uma prótese definitiva, que ficará no lugar do expansor, ou, atualmente, pode-se também utilizar próteses que são expansores (metade soro fisiológico e metade silicone), sem ter a necessidade de troca. A paciente terá, de qualquer forma, que passar por novos procedimentos estéticos, para que seja buscada uma melhor simetria entre as mamas e para a reconstrução da aréola e do mamilo.

Nem toda a mulher que realiza uma mastectomia ou quadrantectomia ou ainda outra cirurgia para o tratamento do câncer de mama sente a necessidade de reconstruí-la, mas para muitas, essa é uma importante parte da recuperação, um atalho emocional que contribui no tratamento do câncer.

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1 Comentários

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1 Comments

Marcio05/26/2010 9:51 PM

Olá minha namorada fez uma cirurgia de redução dos seios, hoje mais de uma ano depois ela me contou que perdeu a sensibilidade nos seios, fiquei muito triste por ela, existe alguma coisa que possa ser feita?
noto que os seios dela respondem quando toco, mas ela diz não sentir…
ou sentir muito pouco, quero demais ajuda-la…

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